quinta-feira, 20 de junho de 2013

Opinião: O fim do exame de Código Morse garantirá o futuro do Radioamadorismo no Brasil?







Resposta:    Não!



Justificativa:


Radioamadores, nestes últimos anos, temos ouvido muito questionamento quanto ao exame de proficiência em Código Morse para promoção da Classe C para a B.



Os que querem a extinção do exame de proficiência em Código Morse para promoção de classe alegam que o Radioamadorismo estaria morrendo e que a não exigência deste exame seria uma maneira de garantir a sobrevivência do Radioamadorismo.



Somos poucos Radioamadores no Brasil. Estima-se um número 30 mil praticantes em todo o país. Não estamos mais nos anos dourados do Radioamadorismo. Essa época acabou com o advento da Internet.  Na era pré Internet, DDD automático e  telefonia celular, o Radioamadorismo era uma alternativa para comunicação entre amigos e familiares.



Atualmente, o Radioamadorismo atrai outro público. Há uma grande procura ao ingresso ao Radioamadorismo por jipeiros e praticantes de vôo-livre que desejam estar com suas estações móveis legalizadas. Há também a procura por  operadores da faixa do cidadão que desejam poder se comunicar de outras formas.  O Radioamadorismo atrai ainda pessoas que desejam se aprofundar em novas tecnologias de telecomunicações, conhecer os detalhes da propagação das ondas de rádio, antenas  e outros aprendizados e investigações científicas. Também há  os interessados por competições, DX,  obtenção de diplomas e comunicações de emergência.



Com a nova  Norma 452 de 11 de Dezembro de 2006 da ANATEL, que rege o Serviço de Radioamador no Brasil, não é mais necessário prestar exames de Código Morse para o acesso às bandas de HF. Com a extinção da Classe D, os Radioamadores desta classe foram automaticamente promovidos à Classe C. O Radioamador da nova Classe C, sem a necessidade de prestar exames de Código Morse, pode  transmitir nas bandas de 80m, 12m e 10m em toda a extensão destas bandas e em segmentos das bandas de 40m e 15m. Desse modo, os Radioamadores da antiga Classe D e os ingressantes na nova Classe C já usufruem dos  privilégios de utilizar as bandas de HF.



O Radioamadorismo não é simples passatempo. É um serviço que permite ao praticante a chance de conhecer e estudar  matérias como: operação de equipamentos de áudio, Eletrônica, modulação e demodulação de sinais digitais, ondas e propagação e tantos outros. Se trata de uma atividade cuja a finalidade é o aprimoramento técnico do praticante. O Radioamadorismo é o berço de muitas tecnologias que encontrarão uma aplicação comercial e avançar as tecnologias de telecomunicações. Quando o praticante se nega a conhecer uma destas disciplinas, ou pior ainda, combate uma prática, está podando o  seu próprio direito de aprimoramento e acesso ao conhecimento.



Infelizmente, vivemos em uma sociedade que quer obter gratificação instantânea em tudo o que faz. No caso do Radioamadorismo, a prova de proficiência em Código Morse, para o acesso a Classe B,  se constitui em um enorme obstáculo para obtenção desta gratificação instantânea. Para ser promovido ou ingressar diretamente na Classe B, o candidato precisa estudar. Dedicar algumas horas para obter um resultado através do estudo é uma enorme barreira para quem está acostumado  obter gratificação instantânea.



Quem quer a retirada do exame de proficiência em Código Morse, caso a extinção aconteça, não pleiteará em seguida  o término da prova de Radioeletricidade? Haverá alegação que essa prova não tem sentido, pois os equipamentos do Radioamadorismo são comprados prontos. Seria perdida uma nova oportunidade de aprender e progredir.



Conforme a legislação vigente, o serviço de Operador da Faixa do Cidadão não requer de seu praticante nenhum tipo de prova ou exame para obtenção da licença de operador. Isso  faz que tenhamos um grande número de operadores da Faixa do Cidadão despreparados e sem conhecer a legislação do exercício da atividade. É comum escutarmos operadores da Faixa do Cidadão transmitindo em frequências aonde não têm permissão e, muitas vezes, perturbando e impedindo a comunicação dos Radioamadores do mundo todo. Os maus operadores da Faixa do Cidadão brasileiros são constantemente citados como fontes de interferências pelo o sistema de monitoramento da IARU (International Amateur Radio Union) o que evidencia o desrespeito e o despreparo destes operadores. 



No Brasil há um número significativo de analfabetos funcionais. Isto pode se dever ao fato de que gradualmente se  é exigido menos da nossa população. A política do paternalismo e clientelismo está instaurada em nosso país e é  essa cultura que se deseja instalar no Radioamadorismo com a extinção dos exames de Código Morse.



Observa-se que  muitos dos praticantes  do Radioamadorismo  já foram operadores da Faixa do Cidadão e  abandonaram este serviço devido ao péssimo nível dos operadores que lá estão. O mesmo acontece com banda de 2m. O barateamento dos equipamentos para a faixa de 2m e a baixa exigência para o Radioamador Classe C, estão atraindo pessoas despreparadas, o que afasta até os bons Radioamadores Classe C  desta faixa.



É isto o que queremos para todas as outras faixas destinadas ao Radioamadorismo? É esta a imagem que queremos que o Brasil tenha perante todo o mundo? Um Radioamador é também um embaixador de seu país, pois as ondas eletromagnéticas se propagam além das fronteiras! Por isso, a exigência da prova de proficiência de Código Morse não deve ser abolida, pois é uma  maneira de selecionar por esforço e mérito os que terão melhores condições de para usar as frequências destinadas ao Radioamadorismo! Para poder qualificar melhor os Radioamadores, outras exigências de conhecimento deveriam ser pontuadas, como noções jurídicas e o aumento do grau exigência dos conhecimentos técnicos e de legislação. Por ser o Radioamador um embaixador de seu país, por que não se exigir também pequenas noções de Direito Internacional e de uma língua estrangeira? Por que não se exigir conhecimentos específicos sobre comunicações em situações de desastre e calamidades públicas?



Atrair novos Radioamadores e zelar pela continuação do Radioamadorismo são funções da LABRE. A LABRE precisa promover cursos de Legislação, Ética Operacional, Radioeletricidade e Transmissão e Recepção de Sinais de Código Morse e mostrar a importância do conhecimento dessas matérias para a prática do Radioamadorismo. O fato de haver reclamação quanto a exigência do exame de proficiência de transmissão e recepção de Código Morse deixa claro que este papel não está sendo cumprido. A LABRE precisa estreitar laços e cooperar com organizações como a Cruz Vermelha, Defesa Civil e o Movimento Escoteiro que se beneficiarão caso seus membros se tornem Radioamadores. A LABRE precisa mostrar para o governo e a sociedade  a sua finalidade e importância histórica. Se mesmo entre os Radioamadores há dúvidas sobre a finalidade e importância da LABRE, o que dizer do conhecimento sobre a LABRE da população em geral? O próprio Ministro das Comunicações Paulo Bernardo da Silva demonstrou não saber da existência de Radioamadores no Brasil em audiência concedida a LABRE em Janeiro de 2012. Não está a LABRE falhando em sua missão?



A deficiência da LABRE em cumprir o seu papel é reflexo do comportamento dos próprios Radioamadores. Quantos reclamam da atuação da LABRE sem serem associados? Quantos Radioamadores estão efetivamente contribuindo ou participando das atividades promovidas por ela?



Recentemente, a LABRE Rio Grande do Sul promoveu atividades sob o nome de “LABRE de Portas Abertas”. As atividades contemplavam cursos e palestras para para incentivar a promoção dos Radioamadores  da Classe C para a Classe B. Um curso de transmissão e recepção de sinais de  Código Morse foi oferecido. Após ampla divulgação, esperava-se grande número de interessados em participar. O resultado desta ação foi decepcionante: o programa foi extinto por falta de participantes. Os Radioamadores não se interessaram. Então, qual é a solução? Reclamar que a LABRE não é atuante? Querer a extinção do exame de proficiência de Código Morse? Reclamar da LABRE nas repetidoras de VHF? Nivelar por baixo?



Radioamador, se você deseja o fortalecimento da nossa nobre atividade  e ver mais Radioamadores qualificados e atuantes, defenda a instituição que o representa, a LABRE! Participe das atividades da LABRE do seu estado e acima de tudo, ofereça seu tempo para a instituição e contribua. Veja os exames de acesso e promoção como forma de verificar seu esforço e seu mérito. Estude, aprimore-se, conheça novas modalidades dentro do Radioamadorismo e incentive a boa prática. Experimente o Código Morse e constate a eficiência desta modalidade para fazer contatos com estações ao redor do globo terrestre. Cresça, que o Radioamadorismo também crescerá.





7 comentários:

  1. INFELIZMENTE AQUI NO BRASIL , QUE É UM PAÍS DE TERCEIRO MUNDO , A EXIGÊNCIA DO EXAME DE CÓDIGO MORSE AINDA PERMANECE. CRIANDO ESSA GRANDE BARREIRA, PARA A GRANDE MAIORIA DO RADIOAMDORES CLASSE "C" , SENDO QUE NO JAPÃO, EUA, E OUTROS PAÍSES DA EUROPA, O EXAME EM CÓDIGO MORSE, JÁ FOI EXTINTO A MAIS DE VINTE, E VEJA A QUANTIDADE QUE TEM RADIOAMADORES ATUANTES NESSES PAÍSES, EM COMPARAÇÃO AO BRASIL. TENHO ESPERANÇA QUE UM DIA ISSO TAMBÉM VENHA ACONTECER AQUI NO BRASIL. PU2-WRS- SILVIO - CASA BRANCA-SP

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  2. Prezado Silvio,

    Obrigado por ter deixado um comentário, mesmo tendo uma opinião contrária a minha.

    Forte 73

    André
    PY3IT

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  3. Caro Senhor e Nobre Colega.,
    Não obstante não concordar com a sua opinião, respeito na totalidade o seu ponto de vista.
    Sou Radioamador desde 1972, e parei apôs ter sofrido um grave acidente de viação no ano 2000. Estou a recomeçar. Aqui no Brasil só posso ser classe C, porque o vosso regulamento considera(como aliás o Nobre Colega) que só é BOM RADIOAMADOR quem sabe CW. Comecei na CB em 1972, fui classe A em 1975.Sempre trabalhei com os 11 metros.
    Hoje depois de dois enfartes e quatro pequenos avc´s, não posso ¨picar¨... Logo não posso sair da Classe C. Aliás já nem me lembro do código...!!!!
    Quanto a conhecimentos radioelectricos, legislação e éticos, posso dizer-lhe que os radioamadores Europeus e Americanos estão muito mais bem preparados que os MEUS IRMÃOS Brasileiros, para usufruir do éter.
    Não é a Classe A.B.C que define o radioamador, mas sim a CLASSE com que este faz radioamadorismo. Existem por aqui muitos ¨pseudos-radioamadores¨ classes A e B, que ficam a dever muito em Ética, Legislação e eletricidade a muitos Operadores da Banda do Cidadão. E se a Digníssima ¨escuta oficial¨estivesse mais operante, muitos, mas muitos mesmo desses pseudo-radioamadores da classe A e B..... ficariam com o COER cassado. É só corujar!!! Dão o indicativo de chamada uma vez em todo o qso ( dure este 10m ou 2 horas) insultam-se, colocam portadoras, musica, entram no QRG, sem perguntar se esta ocupado, etc, etc, etc.... E para cúmulo a ANATEL não fiscaliza as estações para (pelo menos) analisar o Aterramento existente ( electrico, R.F, e antenas).
    Peço desculpa, pelas minhas palavras, o Brasil é vosso (GRAÇAS A DEUS). Façam o que quiserem e muito bem entenderem. Só não andem a espalhar que o pessoal da Banda do Cidadão não se sabe comportar, e que bom RADIOAMADOR é o que sabe pica-pau, aliás uma tecnologia que cada vez é menos utilizada e que já passou para a história.

    Cordiais 73 de PU7KCG

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  4. ... --- ... .- -... . -. - . -. -.. . .-. .-

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